Em seu novo livro, Fabiola Luz, autora de A História de Tobias - um estudo sobre o animus pai, debruça-se sobre um universo a mesmo tempo assustador e fascinante: o mundo dos vícios e dos viciados. Nesse mundo muitas vezes, nos é dado observar que certos habito práticas ou substancias podem levar a uma radical, dolorosa e devastadora inversão entre sujeito criaturas humanas que tem hábitos, exercitam práticas e utilizam substancias objeto hábitos práticas e substancias propriamente ditas. Por que radical, por que dolorosa e por que devastadora inversão entre sujeito e objeto? Porque no mundo dos vícios e dos viciados ilustrado pela autora media quatro ensaios sobre "jogar, comprar, amar e drogar-se" os que antes eram sujeitos dotados alguma autonomia e relativo poder para conduzir suas vidas, depois de viciados podem tornar-se, e com frequência se tornam, objetos dos hábitos, das práticas e das substancias sobre as quais um dia tiveram suposto controle. Para abordar cada um de seus quatro temas, a autora adota um mesmo e sedutor modo de proceder: primeiro, coloca sob nossos olhos, em imagem ampliada, alguma manifestação da cultura na qual um determinado vicio encontrou expressão exemplar: em seguida, apresenta-nos um panorama geral sobre as elaborações psicológicas, baseadas sobretudo na psicologia junguiana. e médicas-psiquiátricas disponíveis para compreender e abordar cada um dos temas; e por fim oferece-nos relatos clínicos e amplificações mitológicas para as histórias narradas e os vícios-viciados, eles sim o verdadeiro leitmotif do livro. Ao adotar esse procedimento e dar corpo a seu livro, Fabiola Luz revela ser não apenas uma estudiosa em permanente desassossego teórico, uma leitora atenta da literatura de ficção (serve-se do livro Um jogador, de Dostoievski, para falar do vicio do jogo), uma espectadora astuciosa do cinema (vale-se do filme Rosalie vai às compras, de Percy Adlon, para abordar o vicio das compras, e de o porteiro da noite, de Liliana Cavani, para aproximar- se do amor que se faz vicio), ou, ainda, uma arguta observadora de seres humanos que s lançaram à loucura do vício das drogas, que Fabíola tratará de inscrever também no âmbito da vivência de Dioniso, o deus de muitas faces. Na verdade, o que resulta mais visível nesses quatro ensaios de Fabíola Luz escritos em linguagem direta, simples, por vezes coloquial mas sempre rigorosa é a analista junguiana que sabe manter os olhos abertos, os ouvidos atentos, a mente alerta e o coração generoso, para enxergar, ouvir, compreender e acolher a experiência humana em suas inumeráveis, estranhas e por vezes assustadoras condições.

Abandono, vício e preconceito

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Em seu novo livro, Fabiola Luz, autora de A História de Tobias - um estudo sobre o animus pai, debruça-se sobre um universo a mesmo tempo assustador e fascinante: o mundo dos vícios e dos viciados. Nesse mundo muitas vezes, nos é dado observar que certos habito práticas ou substancias podem levar a uma radical, dolorosa e devastadora inversão entre sujeito criaturas humanas que tem hábitos, exercitam práticas e utilizam substancias objeto hábitos práticas e substancias propriamente ditas. Por que radical, por que dolorosa e por que devastadora inversão entre sujeito e objeto? Porque no mundo dos vícios e dos viciados ilustrado pela autora media quatro ensaios sobre "jogar, comprar, amar e drogar-se" os que antes eram sujeitos dotados alguma autonomia e relativo poder para conduzir suas vidas, depois de viciados podem tornar-se, e com frequência se tornam, objetos dos hábitos, das práticas e das substancias sobre as quais um dia tiveram suposto controle. Para abordar cada um de seus quatro temas, a autora adota um mesmo e sedutor modo de proceder: primeiro, coloca sob nossos olhos, em imagem ampliada, alguma manifestação da cultura na qual um determinado vicio encontrou expressão exemplar: em seguida, apresenta-nos um panorama geral sobre as elaborações psicológicas, baseadas sobretudo na psicologia junguiana. e médicas-psiquiátricas disponíveis para compreender e abordar cada um dos temas; e por fim oferece-nos relatos clínicos e amplificações mitológicas para as histórias narradas e os vícios-viciados, eles sim o verdadeiro leitmotif do livro. Ao adotar esse procedimento e dar corpo a seu livro, Fabiola Luz revela ser não apenas uma estudiosa em permanente desassossego teórico, uma leitora atenta da literatura de ficção (serve-se do livro Um jogador, de Dostoievski, para falar do vicio do jogo), uma espectadora astuciosa do cinema (vale-se do filme Rosalie vai às compras, de Percy Adlon, para abordar o vicio das compras, e de o porteiro da noite, de Liliana Cavani, para aproximar- se do amor que se faz vicio), ou, ainda, uma arguta observadora de seres humanos que s lançaram à loucura do vício das drogas, que Fabíola tratará de inscrever também no âmbito da vivência de Dioniso, o deus de muitas faces. Na verdade, o que resulta mais visível nesses quatro ensaios de Fabíola Luz escritos em linguagem direta, simples, por vezes coloquial mas sempre rigorosa é a analista junguiana que sabe manter os olhos abertos, os ouvidos atentos, a mente alerta e o coração generoso, para enxergar, ouvir, compreender e acolher a experiência humana em suas inumeráveis, estranhas e por vezes assustadoras condições.